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:: Terça-feira, Julho 12, 2005 ::
Alguém sabe de Dânae?
Voltei à casa antiga não só para arrumar o que faltava mas também para pedir auxílio a quem ainda aqui vem, pois estou preocupado pela ausência de notícias da minha amiga (e blogueira) Dânae, autora do blog Verso Explícito que, por maldade do bloggerman, foi deletado.
Se alguém souber do paradeiro de Dânae muito agradecido eu ficaria se fosse avisado.
Um abraço.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 3:01 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Julho 29, 2004 ::
Novo Endereço
Inspirado nesta melodia de Alcione, deixo uns versos de adeus... ou até breve
Sem lágrima nem dor
Só uma ponta de mágoa sem rancor
Tenho novo endereço pra blogar:
No Festim eu vou postar Com o mesmo coração.
Vou querer o seu olhar
E opinião.

:: posted by PÁSSARO DISTANTE 12:26 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Julho 26, 2004 ::
Libertação
Naveguei pelo teu silêncio ausente
Embrenhado nessas ondas agitadas
E no vento que ensombrava a minha mente,
Deturpando as ilusões compartilhadas.
Naufraguei como um pirata despojado
Do tesouro que ilustrava o teu Ser
E brilhava, noite e dia, a meu lado
Adornando o mais cinzento amanhecer.
Embarquei na luz celeste e cristalina
Que, no sonho, com teu Ser se confundia:
Ponto de ordem para jornada divina...
Pensamento sem cordão umbilical
Ao triste corpo, no qual se inseria
E penava por viver em Portugal.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 1:01 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Julho 23, 2004 ::
Faleceu Carlos Paredes, o Grande Mestre da guitarra portuguesa
Hoje é (mais) um dia em que o mundo artístico está triste e ainda mais pobre. Eu estou, assim que ouvi as notícias da rádio, esta manhã.
Em vida do Mestre consegui alguns CD's que estão referenciados no blog "luso-brasileiro", em que participo, denominado Passeio da Música
Um abraço, triste, do Pássaro Distante
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 12:55 PM [+] ::
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:: Domingo, Julho 18, 2004 ::
Círculo vicioso
Suspenso pelo cais desta cidade
Buscando o sossego que não tenho
Olhando a estrela que me dá vontade
De abraçar o vento com empenho.
Abraço o vento como uma fusão
De sonhos, sombras, corpos e matérias.
Magia ofuscando este vulcão
De medos e fantasmas nas artérias.
Receios infamantes que debitam
A esperança dalgum dia caminhar
Sereno, como as luzes que acreditam
Ser espelhos para as noites de luar.
Na lua, que te estende a mão eterna
E esconde o doce de tão bela estrela,
Existe o ímpeto que desgoverna
A sensatez de nunca poderes vê-la.
Por isso é que regressas ao teu cais
Dum pensamento que é, em ti, incerto:
Tornando os humanos imortais
E trazendo os ausentes para perto.
Por certo gostarias de voar
Nas aspas deste tempo implacável
Que faz da nossa vida um lagar
Onde se espreme gente agradável.
Por certo gostarias de viver
Como uma aparência de espaço
A qual pudesse fazer-te mover
Diante das tormentas e cansaço.
Chegando a quem te dá as boas vindas
E que te faça sentir especial
Dizendo também as coisas mais lindas
E fundindo o Brasil com Portugal.
Fusão com seu efeito diferido
Devido às armadilhas do regaço
Que nega um ser humano divertido
Perdido na ilha do embaraço.
Se fala é votado ao ostracismo
E sem meios para sobreviver
Numa sociedade onde o cinismo
Subjuga o sadio desenvolver.
Nas teias de tão vil burocracia
Ceifada por uma debulhadora
Aquela a quem chamam democracia
É clone com vícios de jogadora.
Com trunfos de poder tão corrompido
Sustenta a mais diversa clientela
Imune a qualquer apelo amigo
Que evite o futuro numa favela.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:51 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Julho 16, 2004 ::
Epitáfio
«Não chores porque acabou;
sorri porque aconteceu...»
(autoria desconhecida)
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:26 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Julho 13, 2004 ::
Casa Branca (Sophia de Mello Breyner)
Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flores marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.
A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.
Ausência (Sophia de Mello Breyner)
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 2:53 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Julho 05, 2004 ::
Literatura portuguesa de luto
e um Pássaro Distante mudo
Morreu Sophia de Mello Breyner
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 1:05 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Junho 28, 2004 ::
Fado de Monsanto
I
Rua Conde de Almoster
Que te viu abrir os olhos
No colo dessa mulher
Que, esteja onde estiver,
Deixou lágrimas aos molhos.
Estrela deste amor ausente
Que deu asas ao destino
E condenou fatalmente
Um amor imprevidente
Nos carris do desalinho.
II
Na Estação desactivada,
Mero ponto de passagem
Que marca a tua jornada,
Solitária caminhada
Ao som de subtil aragem.
Junto à Serra de Monsanto
Definiu sua partida
Na Estação do Desencanto,
«Cruz da Pedra» do teu pranto,
E lá foi à sua vida.
Ref.
Mensageira desse fado,
Lucidez incandescente
Dominando o teu passado
Em tom desavergonhado,
Exibindo o seu presente.
Mulher que com véu ilude
E de tempo se mascara,
Disse-te, de forma rude,
Que seu nome é juventude,
Ou beleza ténue e rara.
III
Despede-te das raízes,
Tal e qual da outra vez.
Os teus olhos infelizes:
No teu corpo as cicatrizes,
No teu espírito os porquês.
Lança o último olhar
À Serra que te acolheu.
Teu destino é Insular,
Em Lisboa vais deixar
Tudo aquilo que era teu...
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 1:09 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Junho 23, 2004 ::
Prece a um Amigo enfermo
Minha Amiga que se ausenta
por motivos de saúde:
Meu sossego se atormenta
com a tua quietude.
Minha Amiga que se esconde
Do sujeito e predicado:
Haverá alguém que sonde
O teu andar camuflado?
Minha Amiga, cara Amiga:
como é fria a noite escura!
Que tormenta, que fadiga
nessa luta pela cura.
Minha Amiga afastada
do convívio dum poema,
percorrendo a madrugada
de forma pouco serena.
Minha Amiga: está na hora
de pedir o teu regresso!
Rezei a Nossa Senhora
que trouxesse o teu verso!
Minha vela está acesa,
noite e dia, de verdade.
Com esperança e com firmeza,
em nome da Amizade.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:51 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Junho 16, 2004 ::
«Meu» Brasil...Brasileiro:
Mar Do Outro Lado
Se eu pudesse retirar esta saudade
Dos confins do meu olhar emudecida
E te a desse, embrulhada na vontade,
Para sentires como anda a minha vida...
Se eu pudesse dominar o meu lamento
Sem as notas deste acorde angustiado
Que esvoaça abafado pelo vento
E não sopra junto de quem está calado.
Se eu pudesse mostrar-te este olhar ausente
E o perfume dum tal corpo arrastado
Para o cais que não recebe sorridente
O silêncio de quem seja abandonado.
Se eu pudesse viver anestesiado
Pelo tempo que durasse a tua ausência
Ou presença nesse «mar do outro lado»
Que se agita ao pé de ti com veemência.
Se pudesse... mas não posso interferir
Com a corrente, prepotente, do destino
Que te prende na vontade de partir
E afoga o teu sonho de menino.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 6:29 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Junho 15, 2004 ::
Dave Brubeck e João Bosco no 5.º Festival de Jazz do Funchal
Para um apreciador, como eu, de música Jazz, foi com natural regozijo que recebi a notícia da vinda do afamado músico Dave Brubeck ao 5.º Festival de Jazz do Funchal, com actuação prevista para as 21h30 do dia 7 de Julho, nos Jardins da linda e paradisíaca Quinta Magnólia, de acordo com a edição deste dia do Diário de Notícias da Madeira. .
Mantém-se assim o hábito de convidar, pela primeira vez, à Ilha da Madeira, um «peso pesado» do Jazz, a exemplo do que aconteceu com o contrabaixista Ray Brown (já falecido) e com Toots Thielemans, que tem um álbum gravado com a saudosa Elis Regina.
Virá também um ilustre representante da MPB (Música Popular Brasileira). João Bosco estará presente no Funchal pela segunda vez na sua carreira, depois de ter encantado a plateia que esgotou o Teatro Municipal de Baltazar Dias há alguns anos atrás.
Escusado será dizer que foi com grande alegria (e expectativa) que recebi esta notícia.
Quem quiser mais informações do Festival de Jazz do Funchal de modo a marcar propositadamente a sua estadia na Ilha da Madeira (no período em que decorre o Festival de Jazz, entre 7 e 10 de Julho) pode consultar o Diário de Notícias da Madeira, na secção Cultura & Espectáculos ou entrar em contacto comigo para qualquer esclarecimento e sugestão, por e-mail ou MSN.
Um abraço do Pássaro Distante...em vôo "jazzístico"
P.S. - O Festival de Jazz do Funchal é organizado pela Câmara Municipal (Prefeitura) do Funchal.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 4:15 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Junho 07, 2004 ::
Sabor a Tango...
Cai a tarde na direcção das antigas docas do porto de Buenos Aires. Em Puerto Madero, onde contempla o magnífico pôr-do-sol, observa minuciosamente, dentro dos cada vez mais fracos limites que a sua visão lhe permite, os transeuntes que circulam, esperançado na vinda da sua Padmini (que em sânscrito significa «amor de todas as vidas»). Num dos bares desta afamada cidade argentina, capital do Tango, Astor Piazzola é exuberantemente recordado por um acordeão que toca, demorada e repetidamente, Tristeza, Separacion...
Perde-se no voo que essa melodia proporciona enquanto espera. Acompanha-o um misto de esperança e de amargura pelo tempo perdido, pelas oportunidades retiradas, pelas palavras que ficaram por dizer, pela coragem que não teve, pela impossibilidade de corrigir gestos e atitudes, de voltar atrás, ou «começar de novo».
Sente que os seus dias estão contados, que não havia "engano divino" no cálculo. Enquanto isso, espera. Espera por ela, como um clarão que irrompesse do cinzento que teimava colorir a sua vida...
Ela não vem. Nem virá. Repetia-se, assim, o desapontamento diário que já somava duas décadas.
Os últimos raios de sol acompanham a sua entrada no bar, atraído pela música. Senta-se numa cadeira e pede uma garrafa de vinho tinto de sabor a nada. Quase não repara na empregada que preenche o seu copo, não fosse a demora com que o servia. Observa-a melhor: era ela!
Seus olhos verdes e sorriso provocador fazem-no renascer para a vida e levantar-se arritmicamente da cadeira, agarrando-a pela mão, retirando-lhe o avental e levando-a para o improvisado palco daquele bar minúsculo.
Resiste a beijá-la... talvez como quem não perdoasse a demora pelo reencontro. Dançam ao som do tango como nenhum bailarino profissional dificilmente conseguiria executar, pois não é todos os dias que se alia o amor à arte e o amor de um «Padmini»...
Dança inesgotável no tempo e no espaço. Subitamente dirige-se à sua mesa e senta-se. Bebe um golo de vinho enquanto a observa na dança solitária... Sem desviarem o olhar trocado contemplam-se naquele contraste simultaneamente proporcionado pelo movimento e pela imobilidade: ela dançando, pois a sua vida fora repleta de viagens e de conhecimento, de aventuras e desventuras; ele sentado, pois o seu destino era esperar, como sempre foi, por ela. Preenchiam-se nesta forma dispare, numa espécie de preparação da vida para a nova etapa que abraçavam comummente.
Ela tinha a experiência e ele os sonhos com que inundaram de paixão o conversível encarnado que os aguardava, já o sol raiava, à porta do bar, para rumarem a Norte. O beijo que demorara noite inteira aconteceu finalmente, já sentados no carro que ela trouxera. Como que a selar no coração o sofrimento pela separação de quem é feito um para o outro...
Partiram. Um ligeiro aceno, em sinal de reconhecimento, ao afamado porto argentino, porque foi a sul que cada um encontrou o norte, para não mais olharem para trás. Perderam o esplendor dos seus anos juntos, mas nem tudo estava perdido: entravam abraçados na velhice e, assim, poderiam esperar pelo fim dos seus dias com o sentimento de missão cumprida e de parceria definida para a próxima viagem destinada por Deus.
Sim, porque certamente não seremos colocados num inferno de instabilidade, a que se dá o nome de Terra, sem uma finalidade superior e nobre.
P.S. - Acompanhado da divina música que perpassa os Erros de Semântica
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 2:35 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Junho 03, 2004 ::
«Por Causa De Você»...
Quando voamos numa fase adulta, com filhos, tudo aquilo que considerávamos prioritário pura e simplesmente deixa de o ser. E vice-versa para aquelas situações, ou eventos, que se repetem anualmente e cuja importância seria diminuta.
Seria, dizia bem, até chegar a cria...
Ontem fui surpreendido com um pedido da educadora de infância da creche onde minha filhota está: «tem aqui um pequeno papel onde gostaria que escrevesse uma quadra alusiva aos santos populares, para colocar no manjerico que a sua filha levará no pequeno desfile que estamos a organizar»...
Pai sofre!
Uma quadra... tipo música pedida... Andei às voltas (se estivesse no Brasil diria «quebrei minha cabeça») o dia todo pensando no que escrever... Mas como pássaro (e voltando a Terras de Vera Cruz...) «quebrei meu galho, desse jeito»:
Cada Santo Popular
Testemunha, nesta flor,
Um «Poema de Encantar»
Que se chama Leonor!
E que saudades de "Lisboa, Menina e Moça"!...
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 1:03 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Maio 28, 2004 ::
«Prenda Minha?»... para todos os meus/nossos amigos
Com a parceria e o template da exclusiva responsabilidade de Amor aqui fica o nosso:
CONVITE Espero que gostem desta surpresa luso-brasileira.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:31 AM [+] ::
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«Prenda Minha?» de aniversário, oferecida por Dânae, do Verso Explícito
Olhem o que eu recebi ontem:
Não é um brinquinho?
Obrigado cara Amiga
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:01 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Maio 26, 2004 ::
Auto-retrato... em véspera de aniversário
Em cada vez que te ausentas
No peito nascem tormentas
E a saudade perpetua,
No jardim de nossa casa,
Sentimento que me arrasa
E me põe no meio da rua.
Cada vez que vais embora
O meu peito aperta e chora
Lágrimas no vão da escada,
Esvaindo o sal do rosto,
Mascarando de desgosto
Vida tão sacrificada.
És imune ao comentário
Que vês como um dicionário
Paginado de lamentos.
Não investes no futuro,
Só te sentes bem no escuro
Sem esgrimires argumentos.
Levas, mudo, na sacola,
Uma fita que isola
A vontade de ficar.
Será gesso ou ligadura
Que meu tímpano apura
Quando vais mudar de ar?
Gravas, no meu ser, o escopo
Ou vestígios de um soco
Colorindo o teu azedo.
Não dá para reagir,
Tão-somente ver partir
As asas do teu enredo.
Plataforma giratória
Dessa tua trajectória
E perfil itinerante.
Alvo duma emboscada,
Recebendo uma granada
De ti: Pássaro Distante.
E, na busca da verdade,
Já não há força e vontade
Que desvie o teu caminho.
Um resquício do passado
Fica preso, arquivado,
Agora que estás sozinho.
Não mereces o lamento
De quem vislumbre por dentro
A paz: que foge assustada;
Expulsa do coração;
Perdida, deu tropeção
No teu voo ou caminhada.
Nesse jeito diletante
E trajecto oscilante
(Para uns indelicado)
Tal e qual "ovelha negra"
Que se apanha numa adega
E pulula embriagado.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 6:27 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Maio 20, 2004 ::
A ditadura das letras
Chovem letras espigadas,
Caindo, desordenadas,
No pátio do pensamento.
Patamar tão encharcado,
Eternamente alagado
Pelo vendaval do tempo.
Letras formando o cinzento
Que cercam o próprio vento
E fustigam sangrada alma.
Com o coração apertado
E o abecedário afiado
Por lava que não se acalma.
Sete ventos, sete dias
De solitárias orgias
Entre vogais e consoantes.
Num êxtase surrealista
Ejaculam-se à vista
De uma penada inconstante.
Nesta folha tresloucada,
À deriva, na madrugada,
Sopram suspiros iletrados.
Letras loucas de prazer,
Impiedosas do meu querer
E impulsos esquartejados.
Mão isenta de vontade
Sem qualquer habilidade
Para escrever algo com nexo
Na folha que inventa regime
Ou ditadura que oprime
Quem não pensa só em sexo.
E uma escrita solitária
Escorre, na mortuária
Casa, dita meu corpo.
É avessa ao teu lenço
E às faltas de bom senso
Que habitam neste porto.
Escrita de tinta branca
Que vê, na folha, a tranca
Para a sua livre expressão,
Não extravasando os seus sonhos,
Alguns deles muito risonhos,
Que morrem... sem comunhão.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 7:26 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Maio 18, 2004 ::
Os voos mais recentes do Pássaro Distante
Nos últimos tempos tive, sempre que o tempo me permitiu, oportunidade para voar e pousar em blogs que passaram a ser novos amigos do Pássaro e agora, cada um deles, também com um cantinho especial nos Sete Ofícios. Divirtam-se, tal como aconteceu comigo nesses voos.
Cartas e Pensamentos Casa da Poesia Em paz e sorrindo Erros de Semântica EUS Meu Porto Poetas Anónimos Rua Ramalhete/Turma do Bar SOPA DE LETRINHAS Teia de Textos
P.S. - Para os meus amigos brasileiros e portugueses apreciadores da MPB, uma informação adicional: Ivan Lins (o próprio) actua amanhã na cidade do Funchal, capital da minha Ilha da Madeira, no Teatro Municipal Baltazar Dias, em parceria com o músico português Paulo de Carvalho.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 1:01 PM [+] ::
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:: Domingo, Maio 09, 2004 ::
Luso-brasileiros percursos de uma margarida...
I
Margarida, margarida:
Brancas pétalas de ternura
Desfolhando pela vida
E levando-me à loucura.
Se colhesse a margarida
Ela teria murchado...
Tal como uma alma ferida
Por um amor decepado...
Transplantei a margarida
Dos confins do Paraíso.
Entreguei-ta na Avenida
Esperando o teu sorriso.
Nada mais era preciso...
II
Vinha quase desfolhada,
Essa flor, a tua eleita.
«Vir à Terra? Que maçada!
Quem me fez essa desfeita?»
Protestava a margarida
Com este triste destino:
Em vegetação banida
E com falta de carinho.
Margarida baralhada
De perfil equidistante
E a voz direccionada
Aos erros de Governante.
Liderança subornada
Por mando da Economia
Que vê na terra queimada
O «pão nosso de cada dia».
E «dá cá aquela palha»
Para enganar os povos.
A «Globo»? Não atrapalha:
Está falida, sem seus «ovos»!
Jornalista amordaçado:
Nódoa na democracia!
Sobrevive, ofuscado,
Para ter a luz do dia.
E a triste margarida
Perdida nesse Planalto
De vontade corrompida:
Querendo tomá-la de assalto.
Com tiques de Vice-Rei
E púlpito de autoridade
Espalhando, na letra da lei,
O terror pela cidade.
E meu Funchal silenciado
Por nódoas de tom laranja:
Só mostras «o outro lado»
Quando te puxam a franja?
Essas "bolsas de pobreza",
Ou gente que passa fome,
Vítimas da avareza
De quem governa em teu nome?
Margarida transtornada
Com tudo o que vislumbrou:
Falsidade semeada
Pelo que reina e reinou.
Sou o Pássaro culpado
Pelo voo e transplante
Do teu ser agoniado
Neste Mundo tão errante.
III
Margarida em tom de esperança
Pelo Norte, Centro e Sul?
Ou lusitana aliança
Com Tomás, do Trem Azul?
IV
Trem Azul ou Trem das Onze?
Margarida ou Mariposa?
Em que estátua de bronze
Está gravada a tua prosa?
Silêncio de Noel Rosa?
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:34 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Maio 07, 2004 ::
Doce Gaia
Nunca sentiram aquela impressão de que os dias passam depressa? Já há algum tempo que eu sinto isso. E pelos vistos não sou o único...
Mas será que é só impressão?
Foi escrito um post interessantíssimo sobre este assunto, da autoria da minha amiga, distinta e elegante escritora, de seu nome Doce Maior
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:28 AM [+] ::
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:: Quinta-feira, Maio 06, 2004 ::
Pássaro Distante entrevistado no Midia Blog
Por gentileza do meu amigo Edson Castro este Pássaro "pousou" (desta vez) no papel de entrevistado.
Além de me sentir honrado com o convite parecia que voltava aos tempos de Escola, com aquele "frisson" próprio da altura em que se recebia o enunciado de um exame escrito... Dez anos depois senti algo de semelhante....
Quem quiser conferir... Obrigado pela atenção, caro Edson
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:44 AM [+] ::
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:: Sábado, Maio 01, 2004 ::
Ficcionando... com Paco de Lucia
Voltaste a Punta Del Este e, pela segunda vez, ficaste hospedada no Hotel Conrad. Por daquelas coincidências que ninguém consegue explicar, estava prevista uma actuação do famoso violinista Paco de Lúcia, que, anos antes, tocara naquele hotel exactamente na mesma altura em que lá estavas a passar férias.
O «show», desta feita, era um pouco diferente. Pela primeira vez na sua longa carreira, Paco, que estava sozinho no palco, decidira, a dado momento, acompanhar-se em palco do bandolim de seu amigo Pássaro Distante, numa homenagem que pretendia fazer à MPB, assim que verificou que, no Hotel, estavam hospedados inúmeros patrícios de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes.
E lá estavas tu. Bela, linda, graciosa, deslumbrante e sorridente. Sim, sorrias não só com o sucesso do teu romance literário, mas também com a possibilidade de, finalmente, não teres ninguém a te impedir de conhecer, pessoalmente, Paco de Lucia.
Mas quem queria conhecer-te, desta vez, era o próprio Paco de Lúcia, que não tirava, tal como eu, os olhos do teu ser. Eras um espectáculo dentro do próprio show. Tocávamos «Manhã de Carnaval», de Luiz Bonfá... Assim que meu bandolim permitiu que Paco fizesse o seu solo, fui impelido pelo instinto a sair do palco, indo buscar-te pela mão para dançarmos o que faltava dessa linda música...
Sorriste... uma vez mais. Agarrei-te pela cintura, do jeito que mais gostas... dançámos juntos, olhos nos olhos, selando o final da dança com um beijo... que roubei de ti!
Ainda o show não tinha acabado, perante o olhar incrédulo da audiência, apresentei-te a Paco de Lucia... satisfazendo, com isso, um teu desejo antigo. E não deixou de ser curioso que, da primeira vez, perderas o namorado só porque ele não deixou que conhecesses o famoso músico... desta vez perdeste outro namorado mal ele testemunhou o beijo que eu, desde há muitas encarnações atrás, desejara «roubar-te»... Roubei... porque teus olhos verdes «diziam-me» para fazê-lo...
Deturpando um trecho da música «Primavera» de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes e porque, afinal, nós somos aquilo que sonhamos (não é verdade?...):
Ai quem me dera
Ser a tua Primavera...
Para depois morrer em paz.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 9:47 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Abril 29, 2004 ::
Li algo de, se não estou em erro, Carlos Drummond de Andrade a propósito de Vinícius de Moraes: muitos escreveram poesia mas apenas Vinícius viveu como poeta.
Recentemente, as brasileiras Miúcha («Cantando Vinícius&Vinícius, letra e música») e Paula Morelenbaum («Berimbaum») editaram dois trabalhos fonográficos que, por coincidência, têm a particularidade de começar pela mesma música de Vinícius de Moraes:
Tomara (Vinícius de Moraes)
Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça,
Nunca mais,
Do meu carinho.
E chore
Se arrependa e pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho.
Tomara
Que a tristeza lhe convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz.
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz.
E a coisa mais divina que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais.
P.S. - Esqueci-me de referir que na versão de Miúcha há a participação vocal de Bebel Gilberto
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 3:59 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Abril 28, 2004 ::
Mais amigos nos Sete Ofícios
Assentada que parece estar a «poeira» derivada de mais de 4.000 visitas, no espaço de uma semana, aos Sete Ofícios e que me proporcionou voar para os blogs das pessoas que deixaram comentários por aqui, venho agora partilhar esses meus voos e, concomitantemente, dar as boas vindas aos novos amigos do Pássaro e, por outro lado, convidá-los a conhecer todos os outros amigos que honram estes Ofícios.
Um abraço para todos.
O Céu é o Limite
A Barca
luagatha
Amizade & Cia
Dom Supremo
Blog da Pin
Doce Anjo Azul
Edaz do conhecimento
Eric Clapton Brazilian Fans
Escrever é cantar com uma pena
Estações
FEC*NY
Maravalha
Ipsis Litteris
Lulu on the sky
Meio Ambiente Urgente
Mídia Blog
Migalhas ao Vento
Minha alma
Momentos de reflexão
Mundo estranho
Pedra Brasileira
Pretensiosa
Proseando
Rê e Marcinha em Milão
Rei do Riso
Só Ilusão
Super Loiras e Morena
Tô Falano
Vida Louca Vida Breve
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 7:04 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Abril 27, 2004 ::
Vamos dançar?
Preparei as taças de vinho tinto, de afamada casta portuguesa, e coloquei, na aparelhagem, o último Compacto Disco de Caetano Veloso, «Foreign Sound», para ouvirmos neste fim de tarde, junto ao mar, tendo o pôr-do-sol como primeira testemunha da nossa dança eterna. Depois, as estrelas marcarão, também, sua presença. Elas são a luz que precisamos para iluminarmos nosso caminho e alumiarmos a nossa alma.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 1:12 PM [+] ::
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:: Sábado, Abril 24, 2004 ::
Doce Maior
Fruto das "perseguições mercantilistas" da globo.com minha amiga Doce Maior decidiu criar o seu próprio site. Na fase de transição foi-me pedido por Fata Morgana que escrevesse um texto sobre Doce Maior. Esse texto está no mencionado site, mas gostaria, com a permissão... Maior, consubstanciada na devida vénia, de «duplicá-lo» nos Sete Ofícios, de modo a que mais pessoas tenham a curiosidade e a felicidade que eu tive de conhecer Doce Maior .
Recebi, honrado, de minha amiga Fata Morgana, um convite para associar-me a uma (mais que justa) homenagem a Doce Maior. Aceitei, com muito orgulho, tal repto que deixo expresso nestas simples (mas comovidas) linhas:
Por mais que eu quisesse escrever, ou recitar, as palavras mais bonitas, tocar as músicas que nos enchem verdadeiramente a alma, pintar quadros ou tirar fotografias que realçassem o melhor que há na natureza humana... tudo isso seria manifestamente insuficiente face ao esplendor, às qualidades humanas (e divinas) de um Doce que, por onde passa, deixa, de forma indelével, a sua marca... Maior.
Num Mundo que tolera o cinzento, que premeia a vulgaridade, que tem inveja do mérito e se refugia no egoísmo, o simples facto de podermos conhecer as virtudes de uma pessoa como Doce Maior é motivo mais do que suficiente para continuarmos a acreditar que é possível fazer de cada canto onde vivemos um local melhor e, ao mesmo tempo, torná-lo sustentável para quem nos suceda nesta vida.
Dizer que Doce Maior modificou a minha vida é dizer muito pouco. Da leitura atenta dos seus escritos... todos «perfumados» de beleza, elegância, sensibilidade, ternura, carinho, sentido de justiça... tornei-me mais culto (ou menos ignorante, conforme a perspectiva), aprendendo a dar valor a aspectos que desprezava. Com Doce Maior comecei a frequentar as estrelas que brilham esquecendo que voava em Terra firme... E, por exemplo, com ela visitei a exposição de Picasso na Oca... estando a milhares de milhas de distância de São Paulo.
Sei que Doce Maior é uma pessoa de bem. Que pratica o bem e, fazendo por isso, deseja um Mundo melhor. E quantos poderão orgulhar-se de merecer tal epíteto?
Podemos conhecer muitas pessoas na vida, mas há um número restrito que consegue um lugar na nossa alma e no nosso coração. Na alma lusitana de um Pássaro Distante tem lugar, cativo, uma paulista, Presidente do Clube das Lindas. E estão certos, todos os que dizem o que eu subscrevo: Doce Maior é uma fada!
Obrigado por existires, Doce Maior
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:: Quarta-feira, Abril 21, 2004 ::
SETE OFÍCIOS NOS «BLOGS OF NOTE»
Devo e quero partilhar esta menção honrosa, por um lado, com as pessoas que fazem parte dos blogs amigos e que muito enriquecem a minha página e, por outro lado, não me esqueço do trabalho de minha amiga Danâe, do Verso Explícito responsável pela reformulação deste template, numa divertida madrugada de Natal.
Agradeço ainda a FataMorgana, dos Casos e Acasos
pelo «printscreen» que apresento de seguida.
P.S. - E bem vindo a quem visita pela primeira vez estes Ofícios por causa do B.O.N.
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:: Segunda-feira, Abril 12, 2004 ::
Salvador por Gabriel
Gabriel Garcia Marquez é o novo «convidado» na apresentação dos Sete Ofícios, substituindo Salvador Dali, cuja citação passa a post:
«O palhaço não sou eu, mas sim esta sociedade monstruosamente cínica e tão ingenuamente inconsciente que joga ao jogo da seriedade para melhor esconder a sua loucura. Porque eu - nunca o repetirei suficientemente - não sou louco!»
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:: Sexta-feira, Abril 02, 2004 ::
Ode à Lua
I
Lua que definha o próprio Sol
Invadindo frágil peito com feitiço:
Entrelaça o corpo à alma com anzol,
Sugando este meu ser tão movediço.
Subverte a virgem luz do Sol nascente
Com alvíssaras, promessas e ilusões,
Seduzindo-o até ficar dormente
De prazer, ora rendido às tentações.
Lua ingrata excluída desta redoma
Ou antro, azul, de pouca humanidade
Onde quem não é amigo nos engoma
Ou nos mata, com total impunidade.
Linda Lua que «só espalha sofrimento»
Como cantava Vinícius de Moraes:
A ausência é a saudade em movimento;
Os soluços são mel nas cordas vocais.
II
Lua cheia cintilante de projectos,
E quimeras subtilmente abrilhantadas
Pelas almas aquecidas com afectos
Trocados em tão densas madrugadas.
Meia-Lua que encobre a frustração
Pois sonhara ser estrela ou belo astro.
Infrutífera mostrou-se tal pretensão.
Castigaram-na. Ao invés tornou-se emplastro.
É vê-la no seu quarto, minguante:
Negrume enraivecido na calada,
Vingando-se num Pássaro Distante
Perdido na esquina da alvorada.
E no seu quarto crescente de inveja
Inebria-nos com aquele brilho hostil,
Confundindo a lucidez, que lhe boceja
E ilude as paixões de tom febril.
III
Lua que nos mostra o seu sabor:
Leite magro com aroma adocicado,
Aditivo que, num ápice, é rancor
Ou inveja em licor adulterado.
Mulher estéril que se mostra prepotente,
Que confunde o meu amor com servidão
E que exibe o seu veneno, impaciente,
Quando eu lhe faço frente e digo: não!
Arredada fatalmente do planeta,
Como Eva, expulsa do Paraíso,
Irredutível aos avisos do profeta:
Não mudando quando mais era preciso.
Lua triste por quem sinto alguma pena
Neste meu jeito de ser amolecido
Pela vida, que nunca quis ser serena
E maltrata quem por ela é vencido.
IV
Isolada na distância gravitante,
Qual presídio de suprema segurança,
O teu escuro é lagoa itinerante
Onde afogo cada sonho na lembrança.
Nunca eu te ofereci fala concreta
Como a que ora te dirijo nesta forma,
Impedido duma ligação directa
Ao teu corpo, cujo brilho me deforma.
Teu castigo consta do itinerário
Semelhante às travessias do deserto:
Queres o Sol ao pé e a qualquer horário;
Eu limito-me a querer o Mar por perto.
Não podes alucinar o meu semblante
Tal como a luz duma estrela excitada
Que, num ímpeto deveras empolgante,
Se revê neste meu porto, acarinhada.
V
Fica entre essas tais constelações,
E bebe o brilho solar de tom nocturno,
Pois de nada valerão as orações
Que te tornem num dos anéis de Saturno.
Brilho que, para mim, é mero foco
Ténue, qual clarão dum candeeiro.
É que: entre um quinto ou sexto copo
Pouco serve a luz do travesseiro.
Lua cheia de vazio, ou sem conversa,
És reguengo de diversos meteoros.
Antes foras tal e qual tapete persa
Mas agora tens buracos nos teus poros.
O teu colo fora albergue de astronauta
Quando os sonhos projectavam foguetões
Iludidos por uma guerra incauta...
É que as estrelas não protegem os vilões!
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:: Quinta-feira, Abril 01, 2004 ::
Verso Explícito
Este «herdeiro» do Verso Avesso, escrito pela sublime poetisa Dânae, é um verdadeiro bolero para os nossos olhos, nestes tempos blogueiros que mais parecem lembrar a Revolução Portuguesa de Abril de 1974 e o seu P.R.E.C. (Período Revolucionário em Curso). Ao recomendá-lo acabo por quebrar o meu silêncio, em nome de algo superior: a justa homenagem à minha amiga Dânae, de quem sou confesso admirador dos seus textos.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:45 AM [+] ::
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:: Quinta-feira, Março 11, 2004 ::
«Prenda Minha?» - oferecida por Embaixatriz do Brasil
Desta minha amiga de longa data recebi (mais) uma Prenda, que desejo partilhar com todos os amigos que visitam os Sete Ofícios, enquanto meu voo continua silencioso... também em sinal de protesto pelo tratamento a que está sendo sujeita a «comunidade blogueira» pela Globo.com:
Cantinho do Pássaro Distante
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 1:05 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Março 03, 2004 ::
POST EM BRANCO...
...tal como o "livro em branco"...
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:09 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Março 01, 2004 ::
Capítulo VII
O grande amor «luso-brasileiro» (continuação):
Quando actriz brasileira «vira» cena de ciúmes...
Trazia consigo pão, ainda quente, da padaria e uns bolos da pastelaria «A Colmeia», para um pequeno-almoço, relaxado, duma sexta-feira sem aulas. Passara a véspera a estudar no apartamento da Conde de Almoster, até ao sol nascer, sentindo falta do «Apartamento dos Silêncios» tal como um peixe fora de água...
Sua amada ainda dormia. Ao sentir o cheiro do café exalando da bandeja pousada na sua cama sorriu antes mesmo de abrir os seus ensonados olhos. Mal os entreabriu recebeu um beijo roubado, que, segundo dizem, tem mais sabor...
- Vou ficar mal acostumada com este tratamento V.I.P. viu?
- Referes-te ao beijo?
- Não só ao beijo gostoso, mas a tudo o que você faz para mim.
- Bom apetite...
A dada altura, numa inversão de noventa graus na conversa que versava sobre o andamento dos estudos para a época de frequências:
- Lembrei de lhe perguntar uma coisa que me deixa curiosa...
- Qual?
- Quem era a actriz brasileira que você mais gostava?
- A representar?
- Não, a que você gostava como mulher, pela aparência física. Todos os meninos tinham uma actriz predilecta, não?
Respondendo de uma forma despreocupada e natural:
- Olha, para os meus amigos Maitê Proença era deslumbrante. Mas havia uma actriz que me fascinava, ao ponto de me lembrar dela não pelo nome de uma personagem qualquer mas pelo seu próprio nome: Malu Mader... Era a «minha» mulher de sonho... O seu jeito delicado, uma certa sedutora malícia, o carinho, vivacidade e a sensualidade transmitida pelo seu olhar cativavam-me... Não achas que a Nicole dá ideias à Malu?
- Estou ficando com ciúmes, viu?
- Não me deixaste acabar!...
- Acabe então!
- Muito agradecido, senhorita... Como estava a dizer, Malu era um sonho para mim até um dia em que o destino me fez esbarrar com aquela que será conhecida pela Garota de Ipanema de final de século... viu?
- Tá certo!
- Passaram os ciúmes? - Em tom provocador...
- Quais ciúmes? Eu hein?
- Sim, sim... esse seu tom (Jobim?)... Mas ainda quero dizer mais uma coisa.
- Qual é?
- Aliás passaram a ser duas coisas...
- Fala.
- A primeira é que adorei esse seu jeitinho ciumento...
Furibunda:
- Ah é?! E a segunda!
- É que, de vez em quando, é bom variar a autoria dos ciúmes... tantos são aqueles que olham para ti.
Passada, rapidamente, a fúria:
- Ah! Mas meu Amor, eles podem olhar mas meus olhos só querem enxergar os seus...
Num súbito "flash de poesia" que lhe invadira o cérebro:
- Brilham meus olhos
Pelos olhos teus
Amantes... presentes!
Lágrimas aos molhos
Nas horas de adeus
Caem dormentes!
- Meu amor, mas isso é lindo! Já é parte do meu poema?
- Ainda não consegui fazer o teu poema. Queria escrever os versos mais lindos para te dedicar.
- Tá bom! Por agora passa, viu? Mas deixa anotar o que você acabou de dizer, pois eu quero que o seu poema comece daquele jeito mesmo, pode ser?
- Sim querida...
- Porque estás sorrindo?
- Nada.
- Nada? Não acredito.
- Como vocês dizem... "bobagem"...
- Conte, não me deixe curiosa.
- Estava sorrindo porque eu parecia, agora, um homem casado a falar...
- Como assim?
- Não sabias que num casamento o homem tem sempre a última palavra?
- Você está dando uma de Coronel de fazenda para mim, é? E qual é essa última palavra?
- É dizer: «Sim querida».
- Você é um gozador nato!
- Psiu... fale baixo senão seu pai ainda quer que eu integre a Aliança Atlântica¿
- Seu danadinho! Acabou a prosa agora... Mas ele estava em Genebra e Suíça, que eu saiba, é país neutral. Olhe, tenho uma proposta para você...
- Diplomática?
- Depende... Era apenas se você gostaria de tomar um banho gostoso comigo... Está um dia lindo para darmos um passeio...
- Mas pressinto que esse nosso banho vai demorar...
- Você está com pressa?
- Eu? Claro que não... Tu é que querias passear...
- Depois, meu Amor. Depois, meu português de palavras cruzadas, "eta" danadinho!
- ETA? Por acaso estás-me mandando para o País Basco?
- Eu? Que nada... Mas hoje minha vontade inicial sabe qual era?
- Qual era?
- Era mandar você para o banheiro de Malu!
- Não me digas que também a conheces? Por acaso estás a propor diplomaticamente um «ménage a trois»? - Piscando o olho, mas fugindo de imediato à direcção de uma "ameaçadora" almofada entretanto atirada.
- Não me provoque! Eu te pego! Vem cá!
(continua)
P.S. - Para quem não tenha lido os capítulos anteriores, eis a data em que os mesmos foram postados:
Capítulo I - 30.11.2003
Capítulo II - 03.12.2003
Capítulo III - 04.12.2003
Capítulo IV - 05.12.2003
Capítulo V - 10.12.2003
Capítulo VI - 17.12.2003
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 12:24 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Fevereiro 24, 2004 ::
Antecipando vinte e quatro horas a:
MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
(Carlos Lyra e Vinícius de Moraes)
Acabou o nosso carnaval
ninguém ouve cantar canções
ninguém passa mais
brincando feliz
E nos corações
saudades e cinzas foi o que restou.
Pelas ruas o que se vê
é uma gente que nem se vê
que nem se sorri,
se beija e se abraça
E sai caminhando,
dançando e cantando cantigas de amor.
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade.
A tristeza que a gente tem
qualquer dia vai se acabar
todos vão sorrir,
voltou a esperança
É o povo que dança
contente da vida feliz a cantar.
Porque são tantas coisas azuis,
há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para dar
que a gente nem sabe.
Quem me dera viver pra ver
e brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 12:31 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004 ::
Transeunte sob o efeito de «Ópium»...
I
Embalei-me na tua dança estrelar
Que, do sonho, se transbordou intacta,
Escorrendo neste peito, sem cessar,
Com o qual teve fusão imediata.
Acompanha-a teu cheiro de mulher:
Alucinante ópio de mistério!
Que me envolve e faz de mim o que quiser...
Simples súbdito de ousado ministério.
Ópio penetrando o tecto da alma,
Ampliando os seus sons num labirinto
De palavras e de notas excomungadas.
Libertando, enfim, tudo o que eu sinto
E escondia, nessas noites agitadas,
A tal ponto de só ter, no rosto, a calma.
II... III... IV
O meu corpo é um trem descarrilado
Pela força de tal sonho eloquente,
Colidindo na Estação, porque dopado
Pelo cheiro do teu ópio envolvente.
Desabou-se a «Estação da Harmonia»!
À qual teimava, dia a dia, regressar,
Ignorando o som da tua magia,
Voz das Estrelas que eu queria ocultar.
No descampado dessa Estação, prostrada,
Acampam, numa tenda improvisada,
As três filhas deste Tempo implacável.
Tua dança já não é mais um poema,
Transformou-se num intemporal dilema,
Vertiginoso, de contorno imensurável...
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:21 PM [+] ::
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:: Domingo, Fevereiro 15, 2004 ::
Soneto da Quietude
No conforto da maresia: um abraço,
Reconforto para teu corpo inquieto,
Movimento que aconchego, passo a passo,
Com carinho, com ternura e com afecto.
Corpos presos na doçura dum momento
Em que os espíritos se acolhem livremente
E, envoltos no sal do contentamento,
Dançam muito... nesse chão de areia ardente.
Pouco a pouco suas vozes se misturam,
Calam males e das feridas se curam,
Aquecidas nesse sol que bem vigia.
Junto ao mar conseguem a grande virtude:
Mãos unidas, já sem nada que os perturbe...
E seus olhos... polvilhados de alegria.
(Pássaro Distante, em Lá menor à sétima)
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 2:43 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004 ::
Um «Olho» de Natália Correia...
Indemne atravessei as labaredas
porque o Amor faz a Obra
e o fogo faz o Amor.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:58 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Fevereiro 10, 2004 ::
«O Vizinho do Lado», o «Irmão do Meio» e «Lisboa que Amanhece»
Há mais de um mês, no restaurante de um bom amigo, que estava nos preparativos finais para a inauguração do seu estabelecimento, deparei-me com uma grata surpresa: num recanto desse requintado «poiso gastronómico» estava um piano «pedindo» por umas notas musicais...
Não resisti ao «pedido»... e, porque o restaurante tem o nome de «O Vizinho do Lado», lembrei-me do CD de Sérgio Godinho, denominado «O Irmão do Meio», e da deliciosa parceria com Caetano Veloso na música «Lisboa que Amanhece».
Ensaiei os acordes dessa música (de memória auditiva) e, com isso, passei uns bons minutos entretido, sem pensar em mais nada. Ao acabar de tocar, desafinado (mas como canta João Gilberto, «os desafinados também têm coração»), constatei que estava sendo observado pelo meu próprio pai, entretanto avisado por amigos comuns da minha presença no restaurante. Uma emocionante surpresa...
Há pouco tempo encontrei, numa promoção de CD'S, uma deliciosa interpretação de Rui Veloso dessa «Lisboa que Amanhece» (apenas voz e violão) e, no último sábado, uma nova versão cantada pelo próprio Sérgio Godinho, autor da letra e da música, que é uma das mais belas músicas portuguesas dos anos oitenta.
Saudar Sérgio Godinho é, por isso, de um ponto de vista pessoal, lembrar também alguns momentos positivos no meu percurso universitário, em especial aqueles em que, depois de intensas madrugadas de estudo, me deslocava para a varanda do apartamento, em frente da Serra de Monsanto, para ver o nascer do sol antecedendo um retemperador banho, com essa música a passar sistematicamente num velhinho gravador de cassetes.
A melhor saudação é, obviamente, recordar a letra de:
Lisboa que amanhece
(Sérgio Godinho)
Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados de outra dança
A noite finge ser
Ainda uma criança
De olhos na lua
Com a sua
Cegueira da razão e do desejo.
A noite é cega e as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse
A mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram.
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece.
Em sonhos é sabido não se morre
Aliás essa é a única vantagem
De, após o vão trabalho,
O povo ir de viagem
Ao sono fundo
Fecundo
Em glórias e terrores e aventuras.
E ai de quem acorda estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
A esse as ansiedades
Ditam sentenças friamente ao ouvido
Ruído
Que a noite, a seu costume, transfigura.
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece.
O Tejo reflecte o dia à solta
À noite é prisioneiro dos olhares
Aos cais dos miradouros
Vão chegando aos bares
Os navegantes
Amantes
Das teias que o amor e o fumo tecem
E o Necas que julgou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada
Tem que rapar as pernas
Para que o dia
Não traia
Dietrichs que não foram nem Marlenes.
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:51 PM [+] ::
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Numa semana dedicada à poetisa portuguesa NATÁLIA CORREIA...
E DE MÃOS DADAS OS AMANTES CADA VEZ MAIS SE APROXIMAM DO PARAÍSO
I
Indeciso entre as rosas e a noite
Seu corpo era uma história por contar.
Lira, abandonou-se em meus cabelos,
Pediu-me um som para poder vibrar.
Dei-lhe o feitiço da canção fatídica
Da sereia que à terra se recusa.
E soltou-se: voo paradisíaco
Direito aos mirtos da morada da musa.
II
Amor: o brilho da espada
Que corta as veias do tempo.
E eu ebriamente enrolada
Na onda de um teu movimento.
As nossas sombras unidas
Na estrela de sermos após
Os mortos desta guerra perdida
Para a ganharmos além de nós.
Maliciosa criação do mundo
Que, fulmíneo, o Amor dará por findo.
Eu e tu afogados no fundo
Numa só boca a cantar no cimo.
III
Trago-te a rosa na ponta de uma espada
Eu sou o enigma. Tu a decifração.
Por fabulosos signos a amada
É a tua máxima significação.
Deixa o dia desaparecer da curva
Das gaivotas que voam o que são
E devolve-te a ti em qualquer gruta
De carícias que abra a minha mão.
Deixa a noite escorrer até à alba
De olvido da nossa duração.
E em meus braços aguarda que entreabra
A eternidade a chama da paixão.
Deixa em meu corpo teus dedos alumbrados
Serem o acorde de pura vibração
Da luz que em vertiginosa temporada
Nos prendeu à aragem deste chão.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:29 AM [+] ::
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:: Domingo, Fevereiro 08, 2004 ::
Da poetisa portuguesa Natália Correia esta:
SUPERAÇÃO
Fechei-me dentro dos muros
onde o meu corpo não cabia
contente de ser prisioneira
do cárcere que eu transcendia.
E fui no vento que tudo
tudo o que havia varria,
contente de ser mais veloz
que o vento que me impelia.
Fiquei suspensa dos ramos
que os meus cabelos prendiam
contente de ser o destino
da árvore em que me fundia.
E dei-me como leito às águas
dos sonhos que me transcorriam
contente de ser o curso
da água em que me esvaía.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:11 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004 ::
Falando dos Outros
Novos «blogs amigos» foram linkados nos Sete Ofícios.
Bem-vindo a quem vier por bem.
Estes Ofícios foram concebidos, na sua interacção, como uma Plataforma Democrática, sem censuras de qualquer espécie aos respectivos conteúdos, no pressuposto de que aceitar o que seja diferente valorizar-nos-á muito mais como seres humanos que somos ou julgamos ser...
Esse tem sido, aliás, o meu grande ensinamento. Tenho aprendido muito com todos os "blogs amigos" que visitei, visito e, consequentemente, recomendo.
Todos são tratados, aqui, de igual modo, o que não significa que sejam visitados com a mesma frequência. Começa a ser impossível dar a todos os blogs a atenção que mereceriam.
Três notas finais:
Saúdo efusivamente, sem qualquer desmerecimento para com os demais, a presença nos Sete Ofícios de um blog dedicado a um estilo musical que diz muito a este Pássaro: Bossanova
Segunda nota para dizer que estava em falta com a blogueira Embaixatriz, minha amiga de longa data, que está desenvolvendo um trabalho notável de recolha de poemas e músicas não só brasileiras mas também portuguesas, com um aprazível template. Qualquer dia deixará de ser Embaixatriz do Brasil
para passar a ser a Guardiã da Lusofonia Cultural...
Lamento, finalmente, a ausência de Seda Azul, com contos interessantíssimos. Se alguém souber do paradeiro da blogueira...
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 12:10 PM [+] ::
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...
:: Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004 ::
Olhando O Mar
(autoria desconhecida, por enquanto)
Tema interpretado, há muitos anos, pelo fadista Rodrigo
Olhando o mar
Sonhei
Que estava junto a ti
Olhando o mar
Eu não sei o que senti
Recordando-me de ti:
Chorei.
O amor que perdi
Para sempre hei-de lembrar.
Sempre me lembrarei de ti
Quando estiver
Olhando o mar.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 7:17 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Fevereiro 03, 2004 ::
Pássaro em vôo amordaçado...
Quando o silêncio da escrita
percorre um corpo inquieto...
Quando uma nuvem habita
um arco-íris secreto...
Quando o espírito acredita
num seu pousar discreto...
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 9:55 PM [+] ::
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:: Domingo, Fevereiro 01, 2004 ::
Autoria conhecida:
Senti-te a partir com a mesma leveza de um Pássaro que, em inesgotável silêncio, descola do galho da minha árvore, ficando a pensar se terá sido a nuvem a levar-te, porque deixaste o teu cheiro a lua e a Inverno...
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 5:27 PM [+] ::
Comments:
...
:: Quinta-feira, Janeiro 29, 2004 ::
«Prenda Minha?» - oferecida por Carolina
"...senti-te a chegar com a leveza de um pássaro que poisa em silêncio e fiquei a pensar se tinha sido o vento ou o mar a trazer-te, porque cheiravas a sol e a verão."
Autoria desconhecida.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:44 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 27, 2004 ::
Deturpando Cecília Meireles:
Eu canto enquanto o instante existe
E a minha vida está incompleta.
Não sou alegre: sou triste.
E dizem que sou poeta.
Quem quiser ler o verso original procure no post de 1 de Novembro de 2003
do delicioso blog de Doce Maior
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:57 PM [+] ::
Comments:
...
Blog em... Manutenção
Queria pedir desculpas aos amigos que me visitam pelo facto de estar a escrever menos do que era habitual e pela circunstância das minhas visitas aos seus blogs serem menos frequentes nesta fase. Às razões, estritamente profissionais, acrescento mais uma: um concurso literário cujo prazo expira a 28 de Fevereiro, o que me tem «obrigado» a despender quase todo o meu tempo disponível nessa empolgante tarefa.
Deixo um abraço a todos, um até breve indeterminado e uma vinda a estes Ofícios sempre que a oportunidade surja.
Como «prenda minha?» recebi de Carolina esta citação, cuja autoria desconheço:
"...nunca podemos esperar nada da vida, a não ser que aqueles que por acaso se cruzam no nosso caminho fiquem por perto enquanto puderem e isso os fizer felizes."
Entretanto, um pedido de Pássaro: não esqueçam dum «click» em:
Site do Cancro (Câncer) da Mama
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:54 AM [+] ::
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:: Segunda-feira, Janeiro 26, 2004 ::
SITE SOBRE O CANCRO (CÂNCER) DA MAMA EM RISCO DE SER DESACTIVADO
Chegou-me por e-mail o seguinte pedido de ajuda:
Não custa nada. Digam a 10 amigos para dizerem, cada qual, a outros 10 amigos hoje! O Site do cancro da mama está com problemas pois não têm o nº de acessos e cliques necessários para alcançar a quota que lhes permite oferecer 1 mamografia gratuita diariamente a mulheres carenciadas. Demora menos de um segundo para ir ao site e clicar na tecla cor de rosa que diz "Free Fund Mammogram". Isto não custa nada e pelo n.º diário de pessoas que clicam os patrocinadores (Avon, Tupperware,....) oferecem a mamografia em troca de publicidade.
Aqui está o Website:
Site do Cancro (Câncer) da Mama
Não demora e não custa nada, ajudem a prevenir CANCRO! Obrigado.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 5:17 PM [+] ::
Comments:
...
:: Sexta-feira, Janeiro 23, 2004 ::
Ao meu pai
Se falo do teu ponto de partida
- Aquilo que alguns chamam de presente -
Eu calo e ponho-me de fugida,
Voando tão silenciosamente.
Nas ondas mudas dum olhar magoado
Embala a modelada frequência
Dum ser que só se sente bem deitado
E faz das almofadas a vivência.
Em lençóis que encobrem a covardia
Duma voz, que perdeu estando calada,
Deita-se o líquido duma agonia
E por lá fica sendo encorajada.
As mantas que, outrora, eram quentes
E hoje são só mantas de retalho
Não aquecem neurónios doentes
Que impedem dares valor ao trabalho.
Sair de casa torna-se penoso;
Sair do quarto é uma «tourada».
Não ligas a quem se mostra choroso
E sofre com a «postura do nada».
E qualquer dia fazem «bibelot»
Das falas que tu jamais proferiste.
E nas teias de aranha de «tricot»
Urdem nas omissões que permitiste.
É derrubado o prato da balança
Nas horas que a justiça insistia
Numa figura que desse esperança
De manter uma luz tão luzidia.
O brilho dessa luz que eu esperava
Ofuscou-se num mero candeeiro
De cómoda que, incómoda, apagava
Invejando o sonho do travesseiro.
Meu pai: que, por ti, modelei a dor
E senti os teus vícios na face,
Em mim totais ausências de calor,
Não posso tolerar o teu enlace
Ou pacto com a falta de coragem
De quem suspira pelo fim da linha
E faz de tudo por essa viagem:
Até a sua alma já definha.
Não deixes de viver cada momento
Como se fosse uma bela canção.
Tu que tens o dom de encantamento
E deste filho uma grande afeição.
Viver assim até a mim já custa:
Vegetar é o termo apropriado.
Tens de saber o que é que não se ajusta
E torna o teu humor guilhotinado.
Escuta este pedido de ajuda
Por ti, por mim e por quem mais te queira,
Qual grito vindo duma boca muda
Que chora por viveres dessa maneira...
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 3:10 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 20, 2004 ::
Pousando em vários galhos
Navega nesta água que transborda
Do lago do meu peito fundo e preso
De sonhos que precisam duma borda
Que ampare quem não quer ficar ileso.
Viaja junto à estrada que me nega
O ponto de partida obrigatório
Girando pela faixa que sossega
Apenas com um som inquisitório.
Abraça a ponte que te viu partir
Eivada dumas nuvens sem tempero,
Aquelas que, fazendo-te sorrir,
Mostraram como é belo o desespero.
Afaga a fome nesse hotel sombrio
Que despe a tua máscara ingrata
Que ao espelho vê a luz do arrepio:
Cinzenta como a vida que te enfarta.
Aquece o lume da indignação,
Aceso pelas brasas do destino
Que queimam a mais bela oração
Imposta desde um berço de menino.
Habita a maresia que te salga
Com gotas de oceano sorridente
Que, brando, nem sequer fere, ou galga,
Um porto ou cais amigo e confidente.
Onera esse teu corpo encardido
De cheiros de animais de outras bandas,
Aqueles que sussurram ao ouvido:
Prometem ilusões, ou seja, tangas!
Não esqueças de piscar o olho à lua
Que encobre o gosto pelo descaminho
E mostra o rosto que no mar flutua
À espera de um dia ficar sozinho.
Ampara a queda de uma estrela rara
Que veio ao teu caminho, sem juízo
E fez a tua vida negra e cara
Cegando no que mais era preciso.
Vislumbra no meu ser funesta caixa
De sonho ou projecto mal montado
Visível nas horas de maré baixa
Mas sempre, ou quase sempre, afogado.
Irrita aquele que te quer amar
E põe à prova o seu sentimento
Sabes, então, que não vai fraquejar
Quando a tormenta seja algum tormento.
Atura-me esse homem embrutecido
Que arrota dinheiro pelas entranhas.
É o preço de apenas teres querido
Dizer lamúrias ou viver em manhas.
Isola essa mulher autoritária
Querendo prender tudo à sua volta:
Acabou numa casa mortuária
De onde recebeu divina escolta.
Vagueia nesses bares de segunda
E mostra ao copo o gelo que te acalma.
E cala essa garganta moribunda
Que não sabe o caminho para a alma.
Promete àquele que te viu nascer
E fez de tristes sombras teu futuro
Que não farás, a quem te suceder,
O mesmo que te fizeram no escuro.
Irrita essa Ministra das Finanças
Que aliviou o bolso dessas calças,
Agora preenchido com livranças
E dívidas penduradas nas alças.
Despreza essa mulher que te maltrata
Cobrando o teu sossego com maus jeitos
E faz da tua vida mera errata
Dum livro de lamúrias e defeitos.
Regista essa menina que te adora
Elevando o teu nome com orgulho,
Acompanhando-te na vida fora,
Fazendo do teu ser um belo embrulho.
Invade o centro do teu hemisfério
E mostra-lhe o que está angustiado:
Aquilo que já fora um caso sério
E vive num semblante agoniado.
Ilustra-me o teu sonho mais perfeito
Com a pauta da mais linda melodia
Que ecoa mesmo em ar tão rarefeito
De gente que não sabe o que é poesia!
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:02 PM [+] ::
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:: Sábado, Janeiro 17, 2004 ::
AFINAL MEU BEM
(Pássaro Distante em reprise)
Afinal Meu Bem
Hoje vim postar
Um texto que tem
Sentido chorar
Dum peito que já
Não aguenta mais.
Penoso viver,
Ingrato sofrer:
Dias tão iguais...
Deste sonhador
Que você não vê.
Quis o meu anel
Para comprometer.
O meu bandolim
Anuncia o fim.
Não vou suportar
«Este Seu Olhar»
De vil alecrim.
Rosto postiço
Ensaiando vendavais,
Vendo o desgosto
A florir nos meus quintais.
E o que ganhou?
Destruiu a flor!
A desunião,
Por definição,
Terminou o gás!
Veja bem, porém,
O que se não diz
Nas entoações
Que mais ninguém quis.
Se eu te deixei?
Para mim já é tarde.
O meu voo é sem
Você. E ninguém
Prenderá vontade.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:24 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Janeiro 15, 2004 ::
MARIA RITA: (RE) VEJA BEM MEU BEM
Há alguns posts atrás escrevi que «Menina da Lua» era das músicas mais bonitas do primeiro álbum de Maria Rita, que no passado fim-de-semana actuou em Portugal, em Lisboa e Porto. Não consegui voar desta Ilha da Madeira para ir ao encontro da menina filha (e voz) de Elis Regina, pois quem vive numa ilha tem de pagar o preço da passagem aérea além do bilhete de ingresso no espectáculo e a crise não permite muitos devaneios culturais. Mas já tenho o seu primeiro DVD, como compensação ou uma espécie de «mal menor».
Voltando um pouco atrás, outra das músicas que se destaca nesse álbum é, sem dúvida, uma que se chama «Veja Bem Meu Bem», cuja letra a seguir posto. O jeitinho do piano... o ritmo dessa música e a voz dessa menina são demais. Quem conhece a melodia concordará comigo, não?
Por outro lado, neste meu jeito de não ficar quieto em meu galho e, em especial, depois de descobrir que o autor da letra tem por apelido Camelo (pode?) entendi, em nome dos Uirapurus da Amazónia, que os Pássaros deveriam ter, também, a sua própria letra dessa música fantástica. Assim, enquanto um Camelo (salvo o devido respeito) diz «Veja Bem Meu Bem», um Pássaro dirá: «Reveja Bem Meu Bem»...
Veja bem meu bem
(Marcelo Camelo)
Veja bem meu bem
Sinto te informar
Que arranjei alguém
Pra me confortar
Esse alguém está
Quando você sai
E eu só posso crer
Pois sem ter você
Nestes braços tais.
Veja bem amor
Onde está você
Somos no papel
Mas não no viver
Viajar sem mim
Me deixar assim
Tive que arranjar
Alguém pra passar
Os dias ruins.
Enquanto isso
Navegando eu vou sem paz
Sem ter um porto
Quase morto sem um cais
E eu nunca vou
Te esquecer amor
Mas a solidão
Deixa o coração
Nesse leva e traz.
Veja bem além
Destes factos vis
Saiba: traições
São bem mais sutis
Se eu te troquei
Não foi por maldade
Amor veja bem
Arranjei alguém
Chamado saudade.
Reveja bem meu bem
(Pássaro Distante)
Veja bem meu bem
Vim comunicar
Que o texto que vem
Eu não vou postar.
Ele fica lá
Enquanto não cai
Seu jeito de ser
Que saiba aquecer
Olhos irreais.
Veja que pavor:
Como posso ver
Este seu papel
Que todos vão ler?
Escrito assim...
Divagando, enfim:
Tive que acabar,
Meu verso deixar
Sem o seu cetim:
Tão movediço,
Afundando versos tais!
Que desconforto
Para letras virtuais.
E o que é que eu sou?
Levo minha dor
Na palma da mão.
Esta confusão
Não desejo mais.
Já não há ninguém
Que seja aprendiz,
Fira corações
Como um infeliz.
Se de ti voei
Por necessidade
Saiba você: quem
Não se sente bem
Vive sem vontade.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:19 PM [+] ::
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A propósito (ou talvez não...) de...
«Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar.»
(Rubem Alves)
... Citação, que, como referi no antepenúltimo post, encontrei no interessante Viajante voaram do meu pensamento estes versos de um:
Pássaro em hora de adeus
Não me venhas com insultos,
Impropérios dos incultos,
Indignos desse teu ser.
Nem me venhas com injúrias,
Parceiras dessas fúrias,
Com que queres me ofender.
Não arranjes maus motivos,
Meros justificativos,
Para as tuas atitudes.
Nem prendas, nessa tormenta,
Um pássaro que se afugenta
Mal vê os momentos rudes.
O teu ser autoritário
Excedeu-se num rosário
De torpes lamentações.
Mas não vês, minha querida,
Que eu, para a minha vida,
Não dou justificações?
Nem te dei esse direito,
No meu tolerante jeito
De aceitar o que me falam.
Tudo... menos as ofensas
Que se esbatem nestas crenças:
Dão a face; e males calam.
Liberdade em duas vias:
Se os voos não aprecias
Pouco mais posso dizer.
Fica o gosto do amargo,
O desgosto como encargo,
Que embargo e vou esquecer.
Foi, em tempos, minha oferta:
Esta alma de poeta
Ou a dum mero aprendiz.
Querias um caçador?
Então não sou o teu amor,
Não posso fazer-te feliz!
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 5:27 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Janeiro 14, 2004 ::
Desenquadrada espiral
Não consegues encaixar,
Nesse teu raciocinar,
O jeito de me sentir.
E assustas-te com isso!
Nasce em ti um rebuliço
Que te urge reprimir.
É como se eu fosse um pintor,
Qual artificie, inovador,
De nova corrente ou escola.
E, sem tentares conhecer
O «novo» que possa trazer,
Isolas-me numa... gaiola?
Limitas-te a comparar
E, ao meu ser, analisar
À luz dos teus pré conceitos.
Neles só tenho a perder
Pois não conseguirás ver
Quaisquer virtudes, só defeitos.
Queres manter tua distância
Alternada por uma ânsia
De totais esclarecimentos.
Se me esquivo: soltas chamas,
Esquecendo-te que me enganas,
Ferindo os meus sentimentos.
Olhos que queimam um rosto
Escondido em entreposto
De inestético brilho.
Não sei o que queres de mim
E porque me tratas assim
Ao longo do nosso trilho.
Mas perdes-te no meu cheiro
Que te enlouquece, primeiro,
Antes de vir a razão...
Cada carícia trocada
E cada emoção partilhada
Baralham a tua visão.
Nesta espiral sem ter fim
Acaba por ser ruim
Ver cada dia nascer.
Já prefiro tua ausência,
Antes minha penitência,
A um inútil sofrer.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 6:01 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 13, 2004 ::
«Prenda Minha?» - oferecida por Viajante
Encontrei, por acaso, esta deliciosa citação (que, uma vez obtida a competente autorização, agora reproduzo) em Viajante
«Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar.»
(Rubem Alves)
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 3:59 PM [+] ::
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«Prenda Minha?» - oferecida por Alicia
El día e la noche
Son dos cosas antípodas.
Nadie dirá que tengan algo en común.
Son dos cosas muy distintas.
Una iluminada por el sol, otra por la luna.
Será?
De una esperamos claridad, luz, calor.
Que traiga vida, que haga florar los campos verdes.
Que traiga alegría mientras los niños disfrutan de sus mañanas.
Sus risas sueltas, que son música...
En cada mañana que nace, la esperanza en nuestro corazón.
Se aproxima, rápidamente...
Su vigoroso calor del medio día.
En los cuerpos desnudos, maduros...
Hace pedir frescura en una fuente de agua fresca.
Lentamente, sin dar sinal de su venida,
La tarde llega...
Y las tardes, vienen con sus deliciosos ocres del oscurecer.
Con sus tiempos vividos,
Con el calientito apagar de la luz.
Con sus recordaciones...
De súbito la noche caí,
Como un pañuelo, en nuestros ojos.
De esta esperamos las tinieblas,
El frío de la oscuridad,
La soledad,
El miedo del negro desconocido.
Viene con su monotonía,
Y se instala...
Pero...
Es durante las noches que,
El poeta recita a su amada,
Que el cantor le hace la serenata,
Los tiernos hacienden sus hogueras,
En el íntimo de la quietud, se calientan,
De afectos...
Y se aprecia la luz de la luna,
Hechicera...
En el reflejó de la agua del lagó,
En el reflejó de los cuerpos.
Luz de luna,
Que no es más que...
El espejo del sol.
Entonces no es más que el día,
De otra forma.
Para que tengamos la oportunidad,
De nos calentar unos à los otros,
Sin que ese calor, sea de otra fuente,
Que no, el del, nuestro corazón.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:17 AM [+] ::
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:: Domingo, Janeiro 11, 2004 ::
POST PARA RECLAMAÇÕES
Como qualquer restaurante (digno desse nome) tem o seu Livro de Reclamações, estes Sete Ofícios também pensaram seguir semelhante filosofia...
A propósito de restaurantes, há um que é assiduamente frequentado por este Pássaro e que contém uma deliciosa frase de «boas-vindas»:
SATISFAÇÃO GARANTIDA!
MAS... POR FAVOR... NÃO SEJA DIFÍCIL DE SATISFAZER.
Deixe sua reclamação.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 4:15 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Janeiro 08, 2004 ::
«Prenda Minha?» - oferecida por Embaixatriz do Brasil
Basta clicar em:
Carta ao Tom 2004
Faltam-me as palavras, obrigado Embaixatriz pela sua amizade e carinho. O Uirapuru ficou mudo de felicidade.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:31 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 06, 2004 ::
Há 30 anos atrás...
Carta ao Tom 74
(Vinícius de Moraes)
Rua Nascimento Silva, cento e sete,
Você ensinando para Elizete
As canções de Canção do amor demais.
Lembra que tempo feliz, Ah! Que saudade,
Ipanema era só felicidade,
Era como se o amor doesse em paz.
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho do céu e o Redentor
É meu amigo só resta uma certeza:
É preciso acabar com essa tristeza,
É preciso inventar de novo o amor.
30 anos depois...
Carta ao Tom 2004
(Pássaro Distante, que me perdoem a ousadia)
Lua que, entre o meu sol, se intromete
E, para os meus sonhos, cobra frete
Com receio de voos especiais,
Esses que levam meu corpo, com vaidade,
Para junto da tal eternidade
Onde brilha Vinícius de Moraes.
Mas o famoso poeta não queria
Afastar a letra da melodia
Desse Tom que a estrela não esqueceu.
Lembrando os sons e as cores de aguarela,
Escondendo a tristeza desta tela
Encobrindo-a num véu ou cobertor.
É meu amigo, perante a gentileza
Do poeta amado, nesta mesa
É preciso lembrar o seu valor.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 6:39 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Janeiro 05, 2004 ::
Desejos
Desejava partilhar a minha arte,
Assim como suas limitações,
Com aqueles que não me põem de parte
E dão vida aos meus voos e canções...
Desejava povoar os teus sentidos
Polvilhando-os com carinho e paixão,
Semeando em teus olhos derretidos
O calor, o sonho e a ilusão.
Desejava carregar esse teu peito
Com a firmeza de quem tem esperança
E com carícias próprias do meu jeito
De emprestar ao vento singela dança.
Desejava cultivar no teu cabelo
As massagens divinais da Antiguidade,
Massajando e amparando cada pelo
Até ao culminar da ansiedade.
Desejava cativar o teu olhar
Com o brilho de meus olhos enjeitados.
E que, juntos, te pudessem ajudar
Nos dias que são tão mal suportados.
Desejava emprestar estes meus ombros
Como panteão para as tuas dores:
E que neles fizesses os escombros
Dos negrumes que violam tuas cores.
Desejava amparar-te nestas pernas,
Ainda que crivadas de varizes,
Desenhando-te as emoções eternas
Que fizessem esquecer as cicatrizes.
Desejava levitar a tua alma
Com as penas destas asas emotivas
Escondendo as ausências de calma
Das nuvens que se mostram cansativas.
Desejava inundar o teu sorriso
Com as voltas de suave inspiração,
Regadas com um «tinto» bem preciso,
Doseadas com assombros de emoção.
Desejava suportar a tua cruz
Ou bem aliviar o teu encargo
Ignorando o que essa avestruz
Debita em tom grave e amargo.
Desejava cancelar esta ausência
E mostrar que poderia ser mais útil,
Não ligando ao que, a uns, será premência
E que a outros, como eu, será, só, fútil.
Desejava partilhar-te quase tudo
Aquilo que é possível partilhar;
Rasgar essas fronteiras do absurdo
Que impedem os humanos de voar.
Desejava tornar belo o que é horrível,
E de esterilizar qualquer doença.
Transformar todo o meu feio apetecível
E mover-me num mundo de boa crença.
Desejava fustigar a tua dor
Com os acordes destas notas musicais
Aninhadas nos soluços de um tambor
E nas letras de Vinícius de Moraes.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 4:22 PM [+] ::
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:: Sábado, Janeiro 03, 2004 ::
Para uma actriz...
Hoje sou Uirapuru
Voando pelo teu avesso:
Imaginando o «eu e tu»
Em versos que não esqueço.
Hoje estou bem mais alegre
Com a tua aparição.
Não há canto em que sossegue
Sem a comunicação.
Vejo em dois mil e quatro
Esse teu ser fascinante
Às portas do meu Teatro
De lugar itinerante.
Imagino-te num palco
Declamando esses poemas,
Camuflando em pó talco
Tuas queixas e dilemas.
Imagino-me sentado
Como espectador atento,
Mais diria: emocionado
Com o teu grande talento.
Os teus olhos: imagino
Brilhando na escuridão,
Cativando este menino
Que te abre o coração.
Que te atira uma rosa,
Para cair junto aos teus pés.
Rosa como tu: viçosa
Nesse avesso ou invés.
Recebes tal oferenda
E olhas o espectador:
Agradecendo a prenda;
Chamando-o para actor:
Musicando os teus poemas
Em bandolim ou piano,
Tocando «Mulheres de Atenas»,
De exemplo sem engano.
Vais buscá-lo à plateia
E trazes de braço dado
Alguém que te saboreia
Em sonhos ou acordado.
E juntos vão cativando,
Com esse «show» imprevisto,
Um público delirando,
Afirmando: «não desisto!»
«Não vamos daqui para fora
Dum espectáculo fortuito,
Sonhado em boa hora
E do qual gostamos muito!»
E perante esse desejo
Tal actor e tal actriz
Prolongaram o ensejo
De um público feliz.
Madrugada emocionante
Na memória, retida,
Dum futuro excitante,
Fascinante e sem medida!
- Já vamos «fechar a loja»?
- Sim. Baixaram as cortinas
Zangadas com a despoja,
Como mimadas meninas.
Pois também queriam mais
Suspensas na emoção,
Vivendo, como mortais,
Tão singular ocasião.
E «não mais que de repente»
Acordara deste sonho
Querendo seguir em frente
Num horizonte risonho.
Actriz cheia de carinho:
Eu queria dar-te a mão,
Um abraço e um miminho
Do fundo do coração.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 10:33 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Janeiro 02, 2004 ::
Recado de Uirapuru...
Sou um Pássaro triste
Da floresta mágica
Que ao homem resiste...
Até à hora trágica?
Eu canto à minha floresta
Inundando o coração
De um homem que não presta
E no lucro vê razão.
Ser ruim do asfalto
Em busca do ganha-pão:
Vá viver para o Planalto!
Deixe em paz minha oração!
Não mexa nas árvores!
Nem mate os animais!
Empalhados? Mármores
Dos teus pecados mortais?
Floresta Amazónia:
Musa deste meu voar,
Mesmo com a insónia
Dum carrasco a matar.
Dessa metalurgia
Que fabricou um Lula:
Emprego é iguaria?
E Amazónia? Gula?
Não queira ser curioso
Confirmando um acto
Dalgum «lobby» nervoso
Que nos «junte» num prato!
Meu canto não é novo
E eu fico triste assim
Face à «surdez» do povo
Herdeiro de Tom Jobim...
Já ouviram «Passarim»?
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 12:28 PM [+] ::
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«Prenda Minha?» - oferecida por Embaixatriz do Brasil
«O Uirapuru é conhecido como o pássaro da felicidade. Seu canto é único e melodioso, encanta pela beleza das notas. Os caboclos da região amazónica creditam a este pássaro dotes fantásticos, chegando a empalhá-lo para ser vendido nas feiras como amuleto.
O canto do Uirapuru é tão bonito, tão melodioso, que todos os outros pássaros da floresta se calam para escutá-lo. É um momento mágico e único. Há silêncio total na floresta quando ele canta. Mas ele só canta uma vez por ano, durante o período de dez a quinze dias em que está construindo seu ninho. E ele só canta de cinco a dez minutos por dia.
O triste é que não só esse pássaro, mas também todo o resto da fauna amazónica (pássaros, animais, peixes e insectos) está desaparecendo...»
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:37 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Dezembro 30, 2003 ::
Lágrimas de resistência
Não sabemos o que nos põem a comer
Num mundo onde só interessa vender,
Onde somos a tal «carne para canhão».
Para as doenças vendem-nos remédios
E depois colocam-nos em prédios
De modo a cobrar, também, a operação.
Pagamos, assim mesmo, a triplicar.
Quase que não podemos respirar
Este ar cada vez mais poluído.
E ninguém faz rigorosamente nada!
Mas que belas «cabeças de almofada»:
Políticos, parasitas sem abrigo!
E, por fim, estamos sós com os amigos
Sofremos, rezamos como uns mendigos
Pela sua franca recuperação.
Tudo aquilo que poderíamos sonhar
Deixou de fazer sentido realizar
Nos momentos de tristeza e devoção.
Minha amiga: não desista dessa luta!
Reaja contra essa doença bruta
Que só cobardemente mostra a cara.
Haveremos de brindar com vinho e mel
Escreveremos muito, tanto, no papel
Os versos da saúde que te ampara.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 4:37 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Dezembro 29, 2003 ::
Não te posso prometer... (às voltas pela vida... e seu traseiro)
Não te posso prometer a vida «airada»
Sonhada neste olhar independente
Suportando cada tala implantada
Pela tal moralidade subjacente.
Não te posso prometer a vida (é) bela
Aquela que tu sonhas e retratas
Num jogo de frustrada aguarela
De cores rudes onde me maltratas.
Não te posso prometer a vida fácil
Exibida no teu meio social
Que pouco ou nada tem de bom e dócil
E brinda à injustiça entre igual.
Não te posso prometer a vida farta
Recheada de riqueza e de conforto.
Da mesma sou o Joker feito carta
Dum baralho que me deixa quase torto.
Não te posso prometer a vida fútil
Ancorada em navio que não navega
Vivida como complemento inútil
A quem quer estar quieto e não sossega.
Não te posso prometer a vida ousada
Que sonhaste, acordada, no teu íntimo
E que, um dia, concluíste, baralhada
Não haver, em mim, parcela ou um ínfimo.
Não te posso prometer a vida pura
Quando a esperança inundava a ilusão
Até cair doente e já sem cura
Alastrando-se ao confim do coração.
Não te posso prometer a vida rica
De fadas, festas, fitas postas, luta
Por dinheiro que, em mim, não se barrica:
Vira lata, pega, apita em voz corrupta.
Não te posso prometer a simples vida
Separada dos complexos pensamentos
Percorridos numa longa avenida,
Vividos entre chuvas, sol e ventos.
Não te posso prometer o «cu de Judas»...
De promessas ando farto e mal refeito.
Nem espero que algum dia me acudas
Nas agruras deste peito rarefeito.
:: posted by PÁSSARO DISTANTE 11:45 PM [+] ::
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...
Entre o silêncio do ser e a escrita da alma
Eu queria destapar essa agonia
Com os voos desta imaginação
Que se esconde, tal e qual o fim do dia,
Entre os ventos da desorientação.
Eu queria demonstrar minha amizade
E poder-te transmitir «aquele abraço»
Traduzido nas letras desta vontade
Induzida, risco a risco, traço a traço.
Eu queria dar-te um pouco do meu colo
Cantando-te as mais lindas melodias,
Recitando-te os poemas do meu solo,
Aquecendo a lucidez de noite fria.
Eu queria ser um Pássaro presente
Que meus amigos pudessem contar.
Eu sinto-me, por vezes, tão doente
E não tenho mesmo jeito de agradar.
Eu queria dar um pouco mais de alento
A quem olha mas não sabe mais s |